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O Jovem hoje é idiota

Durante o regime militar, 1964 – 1985, o jovem brasileiro era muito mais ativo e contestador na sociedade do que é hoje. Hoje, protestos e passeadas viraram, quando muito, mensagem de “corrente” nas redes sociais; revoltas e revoltosos, hoje são os jovens quando discutem com seus pais; não há mais, pelo menos não em grandes proporções, luta pelos direitos do povo por parte dos jovens. 
Por mais que digam o contrário, o jovem dos anos 60, 70 e 80 fez muito mais reivindicações que os jovens de hoje, ainda assim a ditadura triunfou sobre esses, não vemos mais os jovens se reunindo para fazer passeatas, revoltas, protestos, greves, nada... nada além dos grupos de jovens acomodados, sedentários e “viciados” em computadores e/ou jogos em lan houses, o que causa ainda mais revolta no grupo pensante da sociedade: em 1970, por exemplo, a internet mal tinha surgido e o computador estava longe de ser pessoal, tão pouco ser de simples funcionamento ou de grande acessibilidade para a população, e as redes sociais estavam longe de serem criadas, ainda assim o povo, em especial os jovens, se reunia, mesmo que impedidos muitas vezes pelos militares, pelo toque de recolher, ou por qualquer outra das varias leis impostas na ditadura militar – como a censura que bloqueava, muitas vezes, o conhecimento ao povo –, para discutir questões de politica, economia, sociedade ou o futuro da nação... hoje, o jovem não mais discute sobre esses temas, a não ser, obviamente, se estes aparecer numa novela qualquer, esses jovens vem muitas vezes os impostos altíssimos que pagam, ou que seus pais/ responsáveis o fazem, ir direto para o bolso de corruptos políticos em oposição à saúde, educação, saneamento... para onde deveriam ir. 
Na ditadura os militares acabaram com os direitos da população, contudo foi essa uma época que o Brasil teve um salto gigantesco quanto à parte que tange a construção de pontes, viadutos, estradas e outras obras públicas, visavam eles, os militares, uma nação melhor, mais forte, mesmo que para isso a população deve-se sofrer ou ter seus direitos suprimidos, os jovens pensantes dessa sociedade, dotados de saber e conhecimento, que pudessem por em risco o governo e o país eram um inconveniente, por isso tiraram desses o aprendizado das ciências sociais, como a sociologia e a filosofia, e esses jovens cujos direitos foram abdicados se rebelaram, fizeram greve, protestos, revoluções e movimentos contra esse regime autoritário, um meio de fazê-lo foi através das inúmeras musicas de duplo sentido criado por cantores favoráveis à causa dos jovens, musicas cujas quais “driblavam” a censura e tentavam conscientizar a população do que estava acontecendo, tentando motivá-los a se movimentar contra isso, infelizmente não é isso que vemos no gênero musical de hoje em dia, em que a maioria fala agora apenas de amor, paixão, decepções ou traições, não mais tratam de assuntos relevantes à sociedade que vivemos, sem esquecer é claro que isso é obviamente algo muito generalizado, por tanto não se pode dizer que as músicas da atualidade em que vivemos são todas ruins ou que falam todas de assuntos fúteis ou de carácter particular ou seja idiotas - que do grego idiótes significa "homem privado", em oposição ao homem do Estado, ou seja público - como acontece nas musicas que falam de assuntos como os acima citados: amor, paixão... mas que fique claro que o "idiota" que refere-se as músicas destes está associado ao termo grego, pois em latim idiota significa "aquele que é absolutamente ignorante em algum oficio", penso eu, por tanto, que este deve ser simplesmente ignorado quando se analisa esse tema; tomando por coletânea as músicas: "Geração Coca-Cola", de Renato Russo; "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso; e "Como nossos pais", de Belchior; vê-se criticas a sociedade, em especial durante a Ditadura, e através delas, por exemplo, podemos não só estudar o passado de nosso país como entender sua sociedade ao longo do tempo e criar uma sociedade melhor, corrigindo os erros do passado, afinal, com disse Confucio, "Se queres prever o futuro, estuda o passado"; sendo assim por falta de uma grande quantidade de músicas atuais úteis para a sociedade - pois, mesmo que não sejam, não significa que estas são completamente inúteis, tão pouco ruins, afinal, "gosto não se discute", essas apenas não são muito relevantes para o modo que vemos a sociedade -, há ainda muito patrimônio cultural nas músicas antigas, não só as estrangeiras, como muitos pensam que sejam apenas estas as importantes ou boas, como também as nacionais, que, desde a geração de nossos pais e avós até a nossa, vem trazendo inúmeros conhecimentos e/ou interpretações da sociedade, sendo por tanto fundamentais para formação de uma sociedade menos ignorante e mais interessadas pela vida pública do país e cidadania, ou seja, política.
Em resumo, o papel do jovem de antigamente e o do jovem da atualidade, continua sendo o mesmo, o que mudou foi a forma como que o realizamos e como somos cobrados e/ou motivados para isso.

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